Refletir sobre suas experiências na infância é fundamental para entender o sentido da sua vida e quebrar repetições negativas limitantes.
Mas como é possível alterar o que aconteceu na infância?
O autoconhecimento mais profundo muda quem você é, pois lhe permite entender melhor a si mesmo, seus comportamentos repetitivos e automáticos, além de ajudar a entender melhor os outros, e a escolher novos comportamentos abrindo a sua mente para muitas novas experiências. (Daniel J.Siegel)
Ao longo de nossa vida e principalmente dos 0 aos 12 anos de idade moldamos nosso modelo mental, personalidade e conjunto de crenças, de acordo com as experiências que vivemos.
De certa maneira, tudo o que você é hoje é um reflexo das experiências às quais você foi exposto durante os primeiros anos de vida. Com isso, é viável dizer que todos os jeitos de agir de um adulto são, até certo ponto, um reflexo do que aconteceu na infância.
Porém, há alguns comportamentos que se destacam devido ao impacto que possuem dentro do aspecto de vida em longo prazo. Entre os mais importantes que sofrem impacto pelo que acontece nos primeiros anos de vida, estão:
Fobias e medos
Embora as fobias sejam respostas irracionais a uma situação ou elemento, é muito comum que elas tenham origem no começo da vida. O motivo é que traumas com determinados quadros podem causar uma resposta irracional e persistente no cérebro, levando a essas condições.
Uma criança que tenha tido alguma experiência negativa com aranha, por exemplo, corre um risco maior de desenvolver devido à lembrança traumática que o animal evoca.
É por isso que crianças que são frequentemente assustadas para dormir se transformam em adultos com medo do escuro, por exemplo.
Inclusive, isso está relacionado ao comportamento dos pais. Cientificamente, se uma criança não pode brincar em áreas externas e nunca tem a chance de se machucar, tende a ser um adulto com fobias.
Relacionamento com os pais
Os pais, em geral, são as primeiras pessoas com quem a criança cria vínculos fortes. Com isso, ao mesmo tempo esse relacionamento é a causa de muitos comportamentos e o reflexo de tantos outros.
Isso significa que o que aconteceu na sua infância poderá afetar diretamente a forma como alguém age com seus pais quando adultos.
Um estudo da University of Haifa’s School of Social Work demonstrou que crianças que são próximas dos pais são mais propensas a manter o relacionamento com eles quando crescem.
Por outro lado, alguém que teve pais viciados em alguma substância podem se tornar mais sérios, introvertidos, o que pode impactar, diretamente, a capacidade de se comunicar e se relacionar com os pais.
Ou seja, a tendência é que um relacionamento saudável e com diálogo na infância provavelmente siga esse aspecto — e o oposto também é válido.
Codependência
A capacidade de ser independente e de tomar boas decisões sozinho começa logo na infância. Ainda que com pouca idade seja necessário ter a supervisão dos pais, a superproteção pode criar adultos muito dependentes emocionalmente e que não são capazes de agir de maneira independente.
Se a criança não tem a oportunidade de tomar decisões e lidar com as consequências delas, provavelmente não conseguirá lidar com a frustração e terá um medo constante de errar.
Além disso, um quadro desse tipo faz com que o indivíduo fique e cresça acomodado, sabendo que outras pessoas resolverão o que deveria ser feito por ele. Isso gera adultos incapazes de conquistar coisas de maneira independente ou de assumir responsabilidades.
Níveis de autoestima e confiança
Ao mesmo tempo, esse é um quadro que, de certo modo, está diretamente ligado aos níveis de confiança, e autoestima. Quando o pequeno não é estimulado a acreditar em si mesmo, esse padrão tende a se tornar recorrente com o tempo.
Tudo fica ainda pior quando há quadros de abuso emocional e bullying. Um estudo da Warwick University e da Duke University, por exemplo, mostra que alunos atacados desse jeito crescem com baixa autoestima, dificuldade de relacionamento social e de autocontrole.
Traumas também podem ser os responsáveis pelo quadro — como a perda ou abandono de um amigo ou de um parente. Se os pais estiverem envolvidos, como ao não criar padrões positivos de estímulo, o quadro tende a se fortalecer.
Hábitos alimentares
Como você come na fase adulta tem tudo a ver com o começo da vida, já que é nesse ponto que se formam os hábitos alimentares.
Tudo começa com a introdução alimentar e se a criança for acostumada a sabores e texturas variadas, provavelmente carregará isso para o resto da vida.
Outro ponto é a alimentação dos pais, destacadamente da mãe. Como a criança tende a imitar aquilo que ela vê, pais que têm uma boa alimentação provavelmente criarão filhos com uma ótima relação com a comida.
Mesmo assim, o adulto pode ter problemas de obesidade se passar por um abuso sexual. De fato, crianças que são sexualmente abusadas têm um risco de 27% a 66% maior de se tornarem obesas.
Ansiedade e depressão
Em parte, os comportamentos compulsivos, inclusive em relação à comida, podem estar diretamente relacionados a questões psicológicas. Ansiedade e depressão podem influenciar diversos padrões de comportamento.
O seu aparecimento, por sua vez, pode estar diretamente ligado à infância. Estudos do American Journal of Psychiatry e do JAMA Psychiatry journal, por exemplo, mostraram que quem sofre bullying na escola têm chances aumentadas de desenvolver ansiedade e depressão.
Outros tipos de maus-tratos, que vão dos castigos severos, agressões físicas e rejeição, também aumentam os riscos de depressão em 227%, de acordo com o King’s College London.
Interações sociais e relacionamentos
Ainda no jardim de infância, uma criança terá que aprender a conviver e se relacionar com outras pessoas. Essa experiência tende a ser positiva porque ensina a importância do diálogo e de interagir com o outro.
Assim, quanto mais as habilidades sociais forem estimuladas nesses primeiros anos, mais comunicativo e bem relacionado o adulto poderá se tornar.
Por outro lado, algumas ações podem afetar esse comportamento. Um estudo da Ohio State University mostra que assistir TV quando bebê, em vez de interagir com brinquedos ou livros, gera dificuldades de comunicação na fase adulta.
Enquanto isso, segundo pesquisadores da University of Minnesota, a falta de atenção por parte dos pais logo cedo leva a adultos com relacionamentos menos saudáveis. Com isso, uma influência da infância na vida adulta é, justamente, sobre a capacidade de se comunicar, interagir e construir relacionamentos.
Compreensão de intimidade e privacidade
Muitas vezes, as pessoas sentem dificuldade de criar conexões emocionais com outras porque não compreendem, totalmente, a importância da intimidade e como criá-la.
Um divórcio dos pais na infância, por exemplo, pode gerar adultos com dificuldades em se apegar a outras pessoas e a criar laços profundos. Nesse sentido, portanto, é preciso que as crianças experimentem um relacionamento afetuoso e próximo dos pais para entender melhor o conceito.
Ao mesmo tempo, intimidade não pode significar violação de privacidade — e esses conceitos precisam ser fortalecidos logo no começo. A Michigan State University Extension, por exemplo, correlaciona a existência de espaço pessoal à capacidade de respeitar a privacidade. Se isso não é ensinado desde cedo, há consequências no futuro.
Violência e agressividade
Dificilmente um adulto violento assume esse comportamento por conta própria ou apenas por vontade. Na maioria dos casos, a agressividade e os padrões violentos têm a ver com experiências da infância.
Considerando que as crianças são altamente influenciáveis pelo meio em que se encaixam, um estudo da University of Michigan demonstrou que quem cresce assistindo programas violentos, têm maiores chances de se tornar agressivo.
Tolerância e capacidade de adaptação
De maneira semelhante, normalmente adultos intolerantes ou pouco abertos para novas experiências são frutos do meio em que estiveram quando crianças.
Um fator determinante diz às crenças limitantes, como possíveis limites religiosos definidos desde muito cedo.
Além disso, há outras questões. Crianças que brincam de imitar e interpretar papéis, por exemplo, tendem a ser empáticas e, ao final, mais tolerantes. Os pesquisadores da University of KwaZulu-Natal e da University of Queensland in Australia mostraram que adultos que imitam seus pais sãos propensos a conhecer e propagar novas culturas.
Além disso, a partir dos dois anos é que a criança começa a desenvolver a empatia. A falta de preocupação com isso — como o estímulo do compartilhamento e de ações de ajuda — pode levar a adultos com menores níveis de tolerância.
Interesses em assuntos e abordagens
Além de ser uma construção social, os gostos e interesses de um adulto também são moldados por suas experiências prévias.
Quem desenvolve habilidades matemáticas logo cedo, por exemplo, melhora a capacidade de leitura. Com isso, é natural que haja um interesse maior em livros e hábitos de leitura, em geral.
Por outro lado, uma pessoa que tenha sido abusada sexualmente na infância provavelmente terá a sua memória afetada, além de outras áreas do cérebro. Como consequência, tende a perder o interesse em tarefas e assuntos que exijam essa habilidade.
A própria relação com os pais tem influência. Embora não haja indícios científicos de que é possível moldar os gostos musicais de uma criança, por exemplo, é viável apresentá-los às próprias preferências.
Como um relacionamento próximo tende a permanecer e se fortalecer, pode haver transmissão de interesses em certo ponto.
Atuação no mercado de trabalho
A profissão escolhida e o desempenho dentro do mercado de trabalho de um adulto é outro dos comportamentos que demonstram a influência da infância na vida adulta. Um conjunto de fatores, quando a pessoa ainda é pequena, ajuda a definir o que acontecerá mais tarde, na hora de procurar um trabalho.
De acordo com a Harvard Business School, mulheres que viram, desde pequenas, as mães trabalhando têm maiores chances de se tornarem chefes e ganham 23% a mais do que aquelas que não passaram por isso.
Além disso, de acordo com a Pennsylvania State University e a Duke University, quem teve bom desempenho social no jardim de infância possui maior probabilidade de fazer faculdade e de conseguir um trabalho até os 25 anos.
As crianças que encaram situações de pobreza tendem a ter menor escolaridade e, com isso, normalmente trabalham em empregos que pagam menos.
Capacidade de liderança
Apesar de ser um tema ainda pouco explorado por pesquisas científicas, a liderança é um comportamento que tem, sim, influência nos primeiros anos de vida.
Basicamente, são três os fatores principais de efeito: o estilo de educação dos pais, o envolvimento com habilidades de liderança e até mesmo a genética. Assim, uma criança desde cedo estimulada a agir como líder provavelmente reconhecerá a importância dessa ação e se tornará confortável no papel.
Isso leva a um adulto mais confiante e capaz de tomar a frente na hora de decidir diversos pontos, ajudando, principalmente, no mercado de trabalho.
Inteligência emocional
Aprender a lidar com as próprias emoções desde cedo é importante para as crianças. Níveis maiores de inteligência emocional aumentam o poder de concentração e foco, além de melhorar relacionamentos e aumentar a empatia.
Se isso é trabalhado de maneira consistente desde os primeiros anos de vida, é provável que, quando adultos, consigam controlar o estresse e lidar com frustrações. Isso leva a relacionamentos melhores e a um comportamento mais adequado, até no trabalho.
Inclusive, pais que discutem problemas diante dos filhos podem ajudar nesse sentido, já que é um quadro que melhora as habilidades de comunicação e aumenta a segurança emocional.
Prosperidade e crescimento
De uma forma geral, adultos bem-sucedidos devem muito de seus resultados ao que experimentaram na infância.
Como visto, ter um emprego melhor depende de como os pais agiram e das habilidades que foram trabalhadas desde o começo. Do mesmo jeito, habilidades de relacionamento também são influenciadas.
Crianças que aprendem o autocontrole, por exemplo, têm maiores chances de se tornarem adultos bem ajustados, saudáveis e com boa relação com o dinheiro.
Inclusive, as expectativas dos pais entram no quadro. Mesmo que inconscientemente, os pais tendem a conduzir os filhos para o caminho de sucesso desejado.
Para que se liberte de toda e qualquer limitação gerado na infância, é necessário identificar a causa raiz do problema atual, ressignificar o fato e desenvolver novos padrões de pensamento e sentimento para que possa ter os comportamentos que irão lhe ajudar a ter a vida desejada.
Agora que você compreendeu sobre a influência da infância na vida adulta, chegou a hora de dar mais um passo. Invista em você!
Treine sua mente, desenvolva sua inteligência emocional e as demais habilidades necessárias para ser o ser melhor na vida pessoal e/ou profissional.